“De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório“, disse o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson.
Tanto a máquina fotográfica utilizada no século 19 como as digitais de hoje cumprem a função de salvar a recordação de um tempo que não volta mais.
O passar dos anos fez com que técnicas fossem aperfeiçoadas e aquela foto, cheia de significado e preparação tirada por um profissional, foi substituída por uma variedade de usuários querendo selecionar tudo o que vai ser colocado ou tirado da imagem, mesmo depois do processo.
A fotografia não foi inventada em apenas um dia, pouco a pouco, novas técnicas foram sendo adicionadas. Desde a Grécia Antiga, já se conhecia o procedimento químico, mas foi só no século 19 que a fotografia ficou conhecida pelo seu grande público: que era primeiramente a classe média burguesa.
Um século caracterizado pelo movimento, pela indústria e pelo início da queda de poder da nobreza aceitou de braços abertos o advento da fotografia, já que a pintura era para poucos. Um integrante da classe média se preparava para o dia de encontrar o fotógrafo que iria registrar um momento único. O figurino era apropriado, cenários colocados ao fundo, a foto em preto e branco era muitas vezes enviada por correio a alguém que morava longe.
No Brasil, eram famosos os fotógrafos chamados de lambe-lambe, tidos como donos de um poder quase divino, o de conseguir fotografar uma cena inédita. Estavam presentes em várias praças do país com seu tripé, caixa de madeira e até cenário de jardim. Os materiais eram artesanais, improvisados pelo profissional.
Tudo indica que o nome dado a esses fotógrafos surgiu por uma prática de colocar o dedo com saliva ou até lamber a placa que ia ser usada para saber de que lado estaria a emulsão, responsável por uma foto boa e nítida.
Como a qualidade da foto dependia de muita luz, eles só apareciam em dias ensolarados, fazendo a alegria das pessoas nas praças. Hoje em dia já é impossível encontrar um profissional desses, substituídos pelas fotos analógicas pessoais e depois pelas fotos digitais, acabamos perdendo um acervo muito valioso de obras que eram tiradas com tanto contexto histórico e magia.
As máquinas digitais, além de muito mais caras que as analógicas, têm uma vida útil limitada e, com elas, perde-se a figura do personagem responsável pela ligação mágica entre instrumento e obra, o fotógrafo.
Quando falamos em perda da magia da foto ou perda da “aura” da imagem, significa que a idéia de luz que entra na câmera e reproduz exatamente aquilo que se vê naturalmente, através de uma química, não existe mais. Agora a luz, o ângulo, ou seja, as propriedades da foto são modificadas em tempo real e também editadas posteriormente.
A vantagem das máquinas digitais é que as fotos não precisam ser reveladas e o acesso à imagem imediato, como devem ser as coisas no século 21.
Muita gente hoje não teria a paciência e nem o tempo disponível para todo um preparo fotográfico, mas isso não impede aos apaixonados por imagens antigas que matem a saudade com uma máquina de boa qualidade analógica, com direito a filme em preto e branco.
Tecnologia é isso: lembrar saudosamente de objetos do passado, sabendo que não vivemos mais sem as invenções do presente.
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Muito bom, Danilo!
Lembro até hoje quando peguei a Nikon analógica por falta de opção da digital na faculdade. Me apaixonei, pena que leva um custo!
Mas, nada comparado a foto analógica com a digital. Nem precisa de photoshop, rs.
Belo post!
Por: daniellefeltrin em 11/10/2010
às 3:51 PM
[...] danilopalange.wordpress.com [...]
Por: O que perdemos com a fotografia digital? « tonycavalcanti em 28/01/2011
às 3:23 PM
[...] danilopalange.wordpress.com [...]
Por: O que perdemos com a fotografia digital? « Tony Cavalcanti Fotografias em 08/08/2011
às 3:50 PM